No próximo dia 12 de agosto de 2026, o céu de Portugal será palco de um dos fenómenos astronómicos mais fascinantes e raros que existem: um eclipse solar. Ao final da tarde, a Lua irá colocar-se entre a Terra e o Sol, ocultando grande parte da luz solar. Na maior parte do país, o eclipse será parcial — com mais de 90% do Sol tapado no território continental — e será total apenas numa área muito restrita do Parque Natural de Montesinho, em Bragança. É um acontecimento que vale a pena observar, mas que exige cuidados que não devem ser subestimados.
Este artigo procura explicar, de forma simples, por que motivo a observação direta do Sol é perigosa, que lesões pode provocar e, sobretudo, como assistir a este espetáculo em segurança — protegendo os seus olhos e o seu equipamento.
Porque é tão perigoso olhar diretamente para o Sol?
A resposta está na retina, a camada no fundo do olho responsável por captar a luz e transformá-la em imagem. Quando olhamos diretamente para o Sol, a radiação solar intensa que atravessa os meios oculares atinge a retina e pode danificá-la. A esta lesão dá-se o nome de retinopatia solar (ou maculopatia solar).
O que a torna particularmente traiçoeira é o facto de a retina não ter recetores de dor. Ou seja, a lesão acontece sem que a pessoa sinta qualquer desconforto no momento. Os sintomas — uma mancha central na visão, imagens distorcidas ou perda de nitidez — surgem geralmente horas depois. Não existe tratamento comprovado capaz de reverter a lesão. Pode ocorrer alguma recuperação espontânea ao longo dos meses, mas alterações da visão podem persistir, o que torna a prevenção absolutamente essencial.
Um erro comum é pensar que, estando o Sol quase todo tapado, já é seguro olhar. Não é. Enquanto existir uma réstia do disco solar visível, há luz suficiente para lesar a retina. Em quase todo o país, onde o eclipse será parcial, não haverá nenhum momento seguro para olhar sem proteção.
Como observar o eclipse em segurança?
A única forma segura de olhar diretamente para o Sol durante as fases parciais é através de óculos próprios para observação solar, em conformidade com a norma internacional ISO 12312-2. Estes filtros reduzem a radiação e a luz visível para níveis seguros.
- Óculos de sol comuns não servem — por mais escuros que sejam, não protegem os olhos para a observação direta do Sol.
- Escolha um fornecedor credível — a simples impressão “ISO 12312-2” não basta para garantir que o produto é genuíno.
- Inspecione os óculos antes de os usar — não utilize filtros riscados, furados, rasgados ou danificados.
- Coloque os óculos antes de olhar para o Sol e desvie o olhar antes de os retirar.
- Supervisione sempre as crianças durante a observação.
No Parque Natural de Montesinho, dentro da faixa de totalidade, os óculos podem ser retirados apenas quando o disco solar estiver completamente ocultado. Devem ser recolocados antes de reaparecer qualquer parte brilhante do Sol. Fora dessa área restrita, os óculos devem permanecer colocados durante toda a observação direta.
Para quem não tiver óculos adequados, existe uma alternativa igualmente segura: os métodos de projeção indireta, que permitem ver a imagem do Sol projetada numa superfície, sem olhar diretamente para ele. É uma solução simples, gratuita e ideal para observar em família.
E se quiser fotografar o eclipse com o telemóvel?
O sensor da câmara também é sensível à luz solar intensa. Para fotografar as fases parciais, coloque um filtro solar próprio e bem fixo à frente da lente. Evite apontar a câmara diretamente para o Sol sem filtro, sobretudo durante períodos prolongados ou com lentes de ampliação.
A regra é simples: se protege os seus olhos, proteja também a câmara. Nunca olhe diretamente para o Sol para enquadrar a fotografia. Use o ecrã do telemóvel, mantenha os óculos de eclipse colocados e nunca observe através de binóculos, telescópios ou câmaras sem um filtro solar adequado instalado à frente da ótica.
Onde obter óculos e mais informação
O site oficial do evento, eclipse2026.pt, reúne informação de segurança, os horários do eclipse para cada região do país e os locais onde é possível obter óculos adequados, incluindo os Centros Ciência Viva.
Um eclipse solar é um momento único. O último eclipse total do Sol em Portugal ocorreu em 1912 e o próximo só acontecerá em 2144. Vale a pena vivê-lo. Basta fazê-lo com os olhos protegidos.

